segunda-feira, 6 de junho de 2016

It was many and many a year ago...


Annabel Lee

It was many and many a year ago,
In a kingdom by the sea,
That a maiden there lived whom you may know
By the name of Annabel Lee;
And this maiden she lived with no other thought
Than to love and be loved by me.

I was a child and she was a child,
In this kingdom by the sea:
But we loved with a love that was more than love -
I and my Annabel Lee;
With a love that the winged seraphs of heaven
Coveted her and me.

And this was the reason that, long ago,
In this kingdom by the sea,
A wind blew out of a cloud, chilling
My beautiful Annabel Lee;
So that her high-born kinsmen came
And bore her away from me,
To shut her up in a sepulchre
In this kingdom by the sea.

The angels, not half so happy in heaven,
Went envying her and me -
Yes! that was the reason (as all men know,
In this kingdom by the sea)
That the wind came out of the cloud one night,
Chilling and killing my Annabel Lee.

But our love it was stronger by far than the love
Of those who were older than we -
Of many far wiser than we -
And neither the angels in heaven above,
Nor the demons down under the sea,
Can ever dissever my soul from the soul
Of the beautiful Annabel Lee;

For the moon never beams without bringing me dreams
Of the beautiful Annabel Lee;
And the stars never rise but I feel the bright eyes
Of the beautiful Annabel Lee;
And so, all the night-tide, I lie down by the side
Of my darling -my darling -my life and my bride,
In the sepulchre there by the sea -
In her tomb by the sounding sea.


Edgar Allan Poe

segunda-feira, 14 de março de 2016

Oh tempo!


Oh tempo, leva-me contigo
peço-te clemência
ajuda-me a curar
as cicatrizes da sobrevivência.

Leva-me para longe
enterra a minha dor,
deixa para trás
tudo aquilo que não tem valor.

Oh tempo, não me abandones
neste mundo, tão só...
onde o amor não é mais
do que uma cortina feita de pó.

Uma cortina que cai
basta uma brisa de vento
e, logo, o ego sobressai
ao desencobrir a verdade, por dentro.

Mas, um dia, tudo vai acabar
sem aviso, nesta vida
será que alguém vai lá estar
na altura da despedida?


Ana Margarida Fonseca

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Preso em liberdade





















Ao entardecer, debruçado pela janela,
E sabendo de soslaio que há campos em frente,
Leio até me arderem os olhos
O livro de Cesário Verde.

Que pena que tenho dele! Ele era um camponês
Que andava preso em liberdade pela cidade.
Mas o modo como olhava para as casas,
E o modo como reparava nas ruas,
E a maneira como dava pelas coisas,
É o de quem olha para as árvores,
E de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando
E anda a reparar nas flores que há pelos campos...

Por isso ele tinha aquela grande tristeza
Que ele nunca disse bem que tinha,
Mas andava na cidade como anda no campo
E triste como esmagar flores em livros
E pôr plantas em jarros...

Alberto Caeiro

sábado, 27 de fevereiro de 2016

complexidade



Entre o sono e o sonho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho,
corre um rio sem fim.

Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.

Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.

E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre -
Esse rio sem fim.

 Fernando Pessoa

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

ser livre






Voar
dançar
não crescer!
não desaprender
mas aprender de novo...

não estagnar
não se conformar!

cair
mas reerguer-se de novo!

GS

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Conto em verso da princesa roubada


Não sei outra história,
senão a que sei:
Os ladrões levaram
a filha do rei.

- Sela o teu cavalo,
que hoje há montaria.
Roubaram-me a filha,
não tenho alegria.

A ricos e pobres
faz El-Rei saber:
- Casará com ela
o que ma trouxer.

- Mas se for um monstro
feio e cabeludo?
Mas se for um cego?
Mas se for um mudo?

- Ao melhor serviço
cabe a melhor paga:
Será o meu genro
quem quer que ma traga.

Oh que lindo moço
deu com a donzela!
Como vem contente
pelo braço dela!

Nunca o Paço viu
par tão delicado:
Rosa de jardim
com seu cravo ao lado.

Que feliz o Rei,
que já tem a filha,
que já tem um genro
que é uma maravilha!

Como lhe sorri
lhe agradece tudo!...

- Mas se fosse um monstro?

Mas se fosse um mudo?

Sebastião da Gama

CAMALEÃO


Contigo sigo o meu caminho,
Aonde é que ele vai dar?
Muito para além do sonho,
Além do que se pode imaginar...
Levo-te sempre a meu lado,
Este é o caminho que escolhi.
Aonde é que ele vai dar?
Onde tu estiveres, é onde eu quero estar!

Ana Margarida Fonseca