sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Conto em verso da princesa roubada


Não sei outra história,
senão a que sei:
Os ladrões levaram
a filha do rei.

- Sela o teu cavalo,
que hoje há montaria.
Roubaram-me a filha,
não tenho alegria.

A ricos e pobres
faz El-Rei saber:
- Casará com ela
o que ma trouxer.

- Mas se for um monstro
feio e cabeludo?
Mas se for um cego?
Mas se for um mudo?

- Ao melhor serviço
cabe a melhor paga:
Será o meu genro
quem quer que ma traga.

Oh que lindo moço
deu com a donzela!
Como vem contente
pelo braço dela!

Nunca o Paço viu
par tão delicado:
Rosa de jardim
com seu cravo ao lado.

Que feliz o Rei,
que já tem a filha,
que já tem um genro
que é uma maravilha!

Como lhe sorri
lhe agradece tudo!...

- Mas se fosse um monstro?

Mas se fosse um mudo?

Sebastião da Gama

CAMALEÃO


Contigo sigo o meu caminho,
Aonde é que ele vai dar?
Muito para além do sonho,
Além do que se pode imaginar...
Levo-te sempre a meu lado,
Este é o caminho que escolhi.
Aonde é que ele vai dar?
Onde tu estiveres, é onde eu quero estar!

Ana Margarida Fonseca

sexta-feira, 15 de maio de 2015

vagabundo do mar

Sou barco de vela e remo
sou vagabundo do mar.
Não tenho escala marcada
nem hora para chegar:
é tudo conforme o vento,
tudo conforme a maré…
Muitas vezes acontece
largar o rumo tomado
da praia para onde ia…
Foi o vento que virou?
Foi o mar que enraiveceu
e não há porto de abrigo?
ou foi a minha vontade
de vagabundo do mar?
Sei lá.
Fosse o que fosse
não tenho rota marcada
ando ao sabor da maré.
É por isso, meus amigos,
que a tempestade da vida
me apanhou no alto mar.
E agora,
queira ou não queira,
cara alegre e braço forte:
estou no meu posto a lutar!
Se for ao fundo acabou-se.
Estas coisas acontecem
aos vagabundos do mar.


Manuel da Fonseca

segunda-feira, 23 de março de 2015

O Tempo


Mataram o tempo
Ao matarem as pessoas.
Mataram o tempo:
O tempo de construir,
O tempo de se instruir,
O tempo de sorrir,
O tempo de cantar,
O tempo de amar,
O tempo de esperar.

Quanto tempo perdido!
Poderoso ou caído,
Vencedor ou vencido,
O Homem está alerta,
A mão sobre as armas,
O coração em lágrimas.
Quanto tempo perdido!
Palavras sem sentido!
Sangue esvaído!

E no entanto, o tempo,
É tão pouco tempo
Para ser vivido.
Temos tanto a fazer,
Sem fazer a guerra,
Temos tanto a fazer,
Sem matar pessoas,
Sem ser cruel,
Sem perder tempo.

Mas o tempo que vai passando,
Não passa julgando
Aquilo que o Homem vai delineando.
O tempo dá a vida;
O tempo tece a vida;
O tempo corta a vida;
E o Homem, muitas vezes
Só sabe ao morrer, o que vale o tempo.

Pierre Métivier, poète Charentais

Tradução GS


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

"sente-te vivo"











Tem sempre presente que a pele se enruga,
O cabelo embranquece,
Os dias convertem-se em anos...

Mas o que é importante não muda;
A tua força e convicção não têm idade.

O teu espírito é como qualquer teia de aranha,
Atrás de cada linha de chegada, há uma partida.
Atrás de cada conquista, vem um novo desafio.

Enquanto estejas vivo, sente-te vivo.

Se sentes saudades do que fazias, volta a fazê-lo.
Não vivas de fotografias amarelecidas...

Continua, quando todos esperam que desistas.
Não deixes que enferruje o ferro que existe em ti.

Quando não consigas trotar, caminha.
Quando não consigas caminhar, usa uma bengala.
Mas nunca te detenhas.


Madre Teresa de Calcutá

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Os lobos uivam




Os lobos uivam na noite escura
  E eu pergunto sem cessar:
- Oh mãe, os lobos estão tristes?
 - Estão, filho, estão a chorar.

  - Porque choram os lobos tristes?
- Porque não têm amigos em quem confiar
  Porque os Homens os odeiam e matam
  Porque os Homens não os sabem amar.

 - Oh mãe, mas eu gosto tanto deles
   O que posso fazer para os ajudar?
- Diz-lhes o quanto eles são importantes
  Que sem eles o mundo pode acabar.

   Saí, apressado, para a rua
   Na ânsia de lhes explicar
Falei tudo o que me vai na alma
    E eles...deixaram de chorar.

Ana Margarida Fonseca

domingo, 14 de dezembro de 2014

Uma outra visão

A Sombra do Fotógrafo
 
Lentamente avança pelo matagal…
O seu olhar perscruta e regista :
A flor a desabrochar,
A abelha a esvoaçar,
O pássaro a trinar.

Mas também a grandeza
Da planície sem fim,
Do mar desvendado, das montanhas encolhidas
Pelo frio das neves eternas.

O animal que rasteja,
Que salta, que se esconde,
Que foge …
Nada escapa ao seu olhar mágico
Que os captura e prende

E depois liberta em cores e em luz
Para partilhar a sua visão com a humanidade.

GS