domingo, 20 de julho de 2014

tolerância

"Impressão Digital

Os meus olhos são uns olhos.
E é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos
onde outros, com outros olhos,
não vêem escolhos nenhuns.

Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem luto e dores
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.

Nas ruas ou nas estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros gnomos e fadas
num halo resplandecente.

Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.

Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes.

António Gedeão





sexta-feira, 18 de julho de 2014

a minha visão do poeta




O poeta descobre a luz na escuridão,
a beleza escondida na imensidão,
o amor na adversidade
e, às vezes, a solidão.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

O Poeta

Deixai-o passar, gente do mundo, devotos do poder, da riqueza, do mando ou da glória. Ele não entende bem disso e vós não entendeis nada dele.
      Deixai-o passar porque ele vai onde vós não ides; vai ainda que zombeis dele, que o calunieis, que o assassineis. Vai, porque é espírito e vós sois matéria."
Almeida Garrett

Tu, que dormes, espírito sereno,
Posto à sombra dos cedros seculares
(...)
Acorda! é tempo!
(...)
Escuta! é a grande voz das multidões!
(...)
Ergue-te, pois, soldado do Futuro,
E dos raios de luz do sonho puro,
Sonhado, faze espada de combate!
Antero de Quental

"Orfeu rebelde, canto como sou:
Canto como um possesso
Que na casca do tempo, a canivete,
Gravasse a fúria de cada momento;
Canto, a ver se o meu canto compromete
A eternidade do meu sofrimento.
[...]
Canto como quem usa
Os versos em legítima defesa."
Miguel Torga 

"O poema é
A liberdade"
Sophia de Mello Breyner

"O poeta é um fingidor."
Fernando Pessoa